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ÉDISON SAUGUELLIS

                        Cadeira - 51
Patrono - Glauco Velasques
ACADEMIA DE LETRAS E MÚSICA DO BRASIL - ALMUB

Extraído de 

SILVA, Meireluce Fernandes, organizadora. Antologia:
versos & prosa.
Brasília: Thesaurus, 2005. 118 p.
ISBN 85-7062-467-0

      ÉDISON SAUGUELLIS, PIANISTA E CANTOR DO
PROGRAMA UM PIANO AO CAIR DA NOITE.



PEDAÇOS DE PAVILHÃO

Bendita terra, ó pátria.
Bendito és, meu torrão.
Estandarte verde e amarelo
Azul, branco... imensidão...

Saúdo-te terra cara,
Feliz por ser filho teu...
Mas sinto mágoa profunda
Por alguns dos irmãos meus...

Tristeza pelos que dizem
Sou mineiro, alagoano,
Carioca, eu sou baiano,
Sou paulista, sergipano...

Tristeza sinto, ó pátria,
Pelos irmãos que inclementes
Como descobridores, que encontram terra sem gente,
Em mil partes diferentes...

Por que dizer sou paulista?
Por que então sergipano?
Se as cores verde, amarela...
Se encontram em toda extensão desta terra grandiosa
Coberta pelo azul e o branco da imensidão?

Suficiente ó terra minha
Seria que se dissesse:
Sou brasileiro e nasci,
Em terras lá do nordeste
Do sul, do norte, do leste
Do centro ou mesmo d´oeste...

Bastaria isso apenas,
Para que dividir mais?
Ainda mais que se sente,
Que a divisão dessa gente, não se tange à terra firme...
Cingem também os traços, os laços de nascimento...
Que para ti, ó Brasil, já causaram sofrimento...

Rezemos, ó meu torrão
Sob o vosso Pavilhão
Pedindo que meus irmãos
Se lembrem
Que quer no oeste, quer no sul, norte ou leste,
aquele que lá nasceu
Faz parte desta família
Que quer no oceano a ilha, quer na terra as matas mil...
E até o cruzeiro do sul... todo o azul, o brancos, o verde...
O amarelo, tudo isto, queiram ou não

É Brasil.

TEUS OLLHOS CASTANHOS
(Á minha esposa Maria Catarina Rhormens Sauguellis)

Dois poemas, dois sós...
que quando poemas, me dizem queixumes
me trazem ternura, me fazem mostrar

Dois sóis, duas vidas
de ti e de mim me fazem lembrar
lembrar que sou teu, lembrar que és minha
lembrar desses sóis brilhando em teu rosto
é o mesmo que em nuvens poder se deitar,
é o mesmo que estrelas poder-se apanhar

É vida, é sonho, é canto, é luar
e fito teus olhos, marrons de montanhas
e no cimo das mesmas, me tento encontrar

com os braços abertos, bem perto do céu,
passando das nuvens, da lua fugindo
tentando estrelas poder apanha
tentando pegá-las para as te ofertar

Estrelas pequenas, de brilho maior
Estrelas prateadas brincando de azul
Pedaços de vida, de sol, de poema
Que embora distantes
Tão longe de mim
Parecem descer, descer
Cintilantes...
E quando desperto do sonho dourado,
Sorrio contente, feliz, radiante.
Não são mais estrelas, nem sóis fulgentes
Oh, não, são teus olhos,
Castanhos falantes...


INCERTEZA

Pudesse eu vergar do arco, o cordel reteso
Pudesse-o firmar no pulso e a mira dominar
Lançaria ao longe, do amor a seta perfumada
Nesse azul ternura, céu do teu olhar.

Pudesse, gostaria, mas não ouso!
Tremeria eu sei, se te apontasse
A seta perfumada do querer

Tremeria sim, e já não tento
Pois ciente estou da força que me falta
Jamais controlaria o sentimento:

Descontrolado o pulso e a mira encantada
Plena de amor, a seta engalanada
Fugindo ao forte azul dos olhos teus
Voaria incerta, qual desejo meu,
Direta ao encontro do coração teu.


FLOR DA MINHA VIDA

Amada minha, flor da minha vida
Perfume, sol e luar do meu jardim
Penso somente, todos estes dias
O que sem ti seria então de mim.

O que faria a noite sem a lua?
O que faria o dia sem o sol?
Certamente rodariam, estonteantes,
Como rodei no tempo a procurar você
Pedaço de amor feito poema
Pedaço de céu feio luar
Você, amada minha, flor rainha
No jardim de minha vida a enfeitar.

Mas eis que Deus, ao dia deu o sol,
Não negou à noite o luar
E nessa compreensão Sua, infinita
Vendo-me no tempo, atônito as rodar
Deu-me você, razão da minha vida
Que dentre o sol, a lua e as estrelas
Escolhi, pra eternamente amar.

*
Página publicada em 2026


 

 

 
 
 
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